Quem chega trazendo valores que se perderam nos grandes centros urbanos entra em vantagem no jogo
A sombra de Íris continua pairando sobre a casa. O assunto muda um pouco aqui e ali, mas Siri continua sendo lembrada, seja com carinho por aqueles que ela considerava seus amigos, seja pelos adversários de jogo, cuja presença de Siri representou um pesadelo que parece não se acabar jamais. Por que Íris incomodava tanto? Ontem pela manhã o Alemão perguntava à Carollini o que Íris havia feito de errado na casa para ser tão rejeitada. Carol não soube responder, pois na verdade o que irritava Alberto & Cia era a simples presença de Íris. Talvez o que mais defina a razão desta irritação seja a conversa de Analy, Carol e Bruna... Ela era muito diferente de todos nós... E teremos que concordar. Íris era uma presença marcante. Por sua atitude no jogo e perante os demais participantes. Sua presença intimidava de tal maneira que pela conversa de Carol, Bruna e Analy, quando elas comentavam sobre a saída da Siri, a sensação que elas passavam era a de que junto com Íris tivessem saído umas dez pessoas. Diziam que a casa estava mais leve, que agora tinham espaço para aparecer, que tinham uma chance de disputar o prêmio de um milhão de reais. Esqueceram de Diego e Fani, o que é interessante, pois o discurso o tempo inteiro do G5 era de que o trio lhes tirava o brilho e o espaço no jogo. Mas não era o trio e sim Íris, apenas Íris. Se Fani ou Diego tivessem saído, a perseguição teria continuado. Estava pensando sobre este assunto. O grupo é mesmo bastante homogêneo se a gente excluir a presença de Íris. Ela era o diferencial, era o bicho não urbano, era o ser não globalizado do grupo. Por mais que Uberlândia seja uma cidade grande, Íris passou sua infância numa cidade pequena do interior e isto deixou raízes que não apagam facilmente. Meu marido é do Norte, veio de lá aos doze anos de idade e nunca mais voltou para sua cidade natal, Santarém no Pará. No entanto, mantém de maneira muito especial os valores e o orgulho de ser nortista. Trouxe consigo em sua bagagem familiar experiências que o diferenciam de pessoas como eu, por exemplo, nascida e criada no Rio de Janeiro. Segundo ele, quem já passou por debaixo de raízes de árvores de canoa no rio Amazonas sempre terá um olhar para o mundo diferente daquele de quem foi criado trancado num prédio de apartamentos e brincando em play ground, não importa há quanto tempo more na cidade grande. Em nosso mundo globalizado nos igualamos a outras culturas perdendo um pouco a brasilidade que nos faz tão únicos no mundo. Existem poucas diferenças no comportamento de quem mora em São Paulo, Nova York ou Londres. Mantendo as devidas diferenças culturais, como seres urbanos nada deixamos a desejar aos nossos primos do Norte ou aos nossos ancestrais europeus. Mas, quando imaginamos um Brasil tão diverso que comporta uma Amazônia e uma São Paulo, talvez a gente consiga entender um pouco porque Íris acabou sendo uma estranha no ninho no "BBB7". Talvez a gente também entenda a galeria de ganhadores do "Big Brother Brasil". Carol se disse satisfeita de que pelo menos Íris não ganhe, pois ela já não agüentava mais caipira e pobrinhos ganhando o jogo do "BBB". O que Carol acha ou deixa de achar é pouco importante, ela já mostrou que não entende nada mesmo do jogo, mas suas palavras nos mostram que na hora de cativar o público quem chega trazendo valores que se perderam nos grandes centros urbanos já entra em vantagem no jogo. É verdade, e em minha modesta opinião é porque trazem consigo toda uma brasilidade esquecida nas grandes cidades brasileiras. Apesar de Bruna e Alberto também serem do interior do Brasil, eles em suas atitudes no jogo optaram por se mesclar ao grupo reforçando seu lado urbano em detrimento de suas raízes. A tentativa de Alberto de usar o seu chapéu de cowboy é tão estereotipada que o deixou patético. Bruna, por outro lado, já foi modelo e por sua pouca idade hoje, deve ter vivido muito jovem experiências que marcaram sua personalidade e a distanciaram de seu mundo original. O mundo da moda é um mundo transformador. Tinha outra coisa em Íris que incomodava além de sua brasilidade expressa em seu sotaque e seus valores, era seu brilho, seu carisma, sua personalidade forte, sua firmeza em suas convicções, o que não conseguimos perceber em mais nenhum dos outros jogadores desta edição. O fato de Íris ter uma experiência de infância diferente a faz compreender e interpretar as relações humanas de maneira diferenciada do grupo. Como eu já falei anteriormente, nunca um grupo foi tão dúbio em suas atitudes nos fazendo sentir o tempo inteiro participando de um jogo de vale tudo. O que sobrava em Íris falta aos demais jogadores, por isto este vazio enorme que ela deixou na casa e na presença do Alemão. Que pena que Boninho quer outro perfil de ganhador para este "BBB7"!


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